O avanço das voçorocas (erosões) em bairros de Buriticupu, no interior do Maranhão, levou a prefeitura a decretar estado de calamidade pública em todas as áreas do município. As erosões se intensificaram rapidamente este ano devido ao período de chuvas, ameaçando imóveis desde o mês passado.
No decreto assinado pelo prefeito João Carlos Teixeira da Silva (PP) na última terça-feira (11), o município alegou sofrer com as erosões em toda a sua extensão, expondo cerca de 1.200 pessoas que residem em 250 imóveis a alto risco em sete bairros e no centro da cidade.
Esta não é a primeira medida do gênero adotada no município. Há quase dois anos, em março de 2023, o mesmo prefeito, reeleito no ano passado, também havia decretado calamidade. Naquela época, 800 moradores estavam ameaçados.
As voçorocas geralmente são causadas por erosões subterrâneas provocadas por águas pluviais infiltradas em terrenos muito permeáveis, segundo especialistas.
Na cidade de Buriticupu, essas erosões existem há mais de 30 anos, de acordo com os moradores, e pelo menos 70 casas já foram destruídas desde então.

Além do centro, as áreas de encosta com moradias ameaçadas, em um município de 55.499 habitantes, estão localizadas nos bairros Caeminha, Vila Isaias, Santos Dumont, Eco Buriti, Terra Bela, Sagrima e Terceira Vicinal.
Um laudo técnico do departamento de engenharia da prefeitura identificou 15 setores da cidade com acentuado avanço do processo erosivo, geralmente causado por drenagem superficial. A administração também informou a existência de sete voçorocas às margens da BR-222.
O decreto, segundo o prefeito, representa “um pedido de socorro ao governo federal” e ao governo maranhense.
“Cada chuva leva um pedaço de Buriticupu,” afirmou o prefeito em um discurso divulgado pela prefeitura no sábado (15).
Há cerca de 15 dias, a Justiça do Maranhão determinou que o município tome providências para resolver o problema, após uma ação do Ministério Público Estadual.
Em agosto do ano passado, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional informou que repassaria R$ 32,9 milhões para o município combater 26 crateras, algumas com até 600 metros de extensão e 70 metros de profundidade.
Segundo a prefeitura, R$ 3 milhões foram utilizados para a construção de moradias para famílias afetadas, e mais recursos são necessários para enfrentar o crescimento do problema.
O decreto tem validade de 180 dias e dispensa de licitação contratos de obras necessárias para resolver ou amenizar o problema.
FONTE: (Folha)

